Minha história

                                                                                            
   

    Nasci em Porto Alegre no dia 27 de março de 1961, e desde que me  dou por gente,
conviví com meu avô materno, Raul San Martins, um grande escultor e artista  plástico. 
    Sua principal atividade  eram as  esculturas e pinturas  sacras encontradas até hoje
em algumas  igrejas de Porto Alegre. Também restaurava pinturas antigas,  dizem  que
entre elas estavam os  afrescos do Palácio  Piratini (casa do governo do estado do Rio
Grande do Sul).    Morreu quando eu tinha oito anos, e  neste  breve  período  em que
tive  contato com meu avô,  sempre estive ao seu lado em seu ateliê, onde, enquanto
ele trabalhava, eu me apresentava para as argilas e aquarelas e passava a maior parte
do tempo brincando de pintar e fazer esculturas em argila.   Provavelmente foi daí que
surgiu esta veia artística.
    Como no Brasil  dificilmente alguém  conseguia viver dignamente da arte, ele morreu
na miséria e curtido no álcool.   Mas nunca deixou de  me contar as histórias dos gran-
des  pintores e  compositores  enquanto  bebíamos  uma mistura  de   Pepsi-Cola  com
Capim (ele dizia que  era bom para aguçar a veia artística).

                                                                                                                           

     Durante a minha formação escolar, além dos  trabalhos  normais eu  desenhava em  cima das classes,   dos  cadernos e  redesenhava os livros  escolares.    Esta  prática
sempre  me  rendeu  alguns  incômodos  e  advertências por  parte de meus professores
res, menos  os de  educação  artística é  claro.   Meu pai, na época, era  contador da
CORFIX, uma das maiores  fábricas de tintas  para pinturas  do Brasil  nos anos 70 e até 
hoje, e para  variar,  lá estava eu  novamente  circulando por entre  as  tintas,  pincéis e  massas  de  modelar. 
    Acabei  então,  com 15 anos  de  idade,  ingressando  no  Atelier  Livre da  Prefeitura  
 de  Porto Alegre que até  hoje  é um  dos  maiores formadores de artistas do Brasil.  

    Obviamente  que  nesta  época  de  ditadura,  o meu ingresso  foi  patrocinado  por  um empurrãozinho (e muitas doações) de meu pai e da CORFIX.  Neste  período  de  um      ano e meio em em que estive no  Atelier  eu acabei aprendendo um pouco de quase todas     as técnicas  de pintura, xilogravura,  litogravura, escultura, cerâmica  e muitas outras coi-   sas. Mas também  eu já era um adolescente r ebelde que adorava fazer caricaturas  das pessoas e histórias em quadrinhos satirizando as mesmas,  e como  eu já  me achava um  Picasso, acabei saindo     Atelier por vontade própria pois a maioria de  meus colegas na    época ou  eram  filhos e filhas  de  militares  ou as  mulheres  ou  amantes dos mesmos.  

                              
     Artistas mesmo  eram muito poucos e acabei desiludido  e cansado de ficar  fazendo
bolinhas e  quadradinhos  de argila  por orientação dos  professores na época e  acabei 
desistindo  de tudo para tristeza de meu pai e de meu patrocinador.    
    Meus estudos normais continuaram e eu comecei a me aventurar a pintar telas a óleo
em casa durante muito tempo, mas como as telas eram e são muito caras  por aqui, eu
pintava  e repintava até a obra ficar um caos e o destino delas acabava sempre no mes-
mo lugar...  O lixo.
      Acabei terminando o
 segundo grau com profis-
 sionalização em arquite-
 tura e tive que partir pro
 meu mais novo calvário, 
 ser  Arquiteto ou Artista 
 plástico. 
    Mas para ingressar em 
 uma  faculdade no Brasil,
 ou  você  era um gênio,
 para entrar em uma facul-
 dade pública ou rico para
 entrar  numa  faculdade 
 particular.   Como eu não 
 era  nenhum dos dois  e
 estava em dúvida entre
 as faculdades de belas 
 artes (miséria) e a facul-
 dade de arquitetura (di-
 nheiro), acabei  optando
pela arquitetura devido ao fato de Artes no Brasil não dar sustento de  vida na  época e
ainda por cima os artistas eram tachados de hippies  maconheiros,  isso se deu no  início 
dos anos 80 e após varias tentativas de prestar  vestibular e não conseguindo  derrubar 
os famosos 28  candidatos por vaga da época, acabei entrando na UEST,  faculdade de
informática não reconhecida pelo MEC mas muito bem aceita pelas grandes empresas. E
como  eu estava começando a trabalhar nesta area  resolvi encarar de vez e abrir  mais
as portas para progredir nesta area trabalhando como programador de computadores. 
   Mas para a minha sorte, assim que entrei, a faculdade acabou fechada pelo  governo,
mas continuei tirando meu sustento trabalhando na área de informática durante anos.   
   Acabei casando e descasando e tive um filho (que também desenha muito bem), e a
arte acabou  ficando como Hobby e bicos daqui e dali. Após alguns anos eu sai da infor-
mática e entrei na área  de vendas de medicamentos e  depois de algum tempo  acabei 
me tornando proprietário de Farmácia. Um dia acabei recebendo a visita de um ex-cole-
ga do tempo de ginásio  e que  também desenhava nas classes.    Ele teve coragem e
se formou em  Belas artes.  A visita dele  foi para me convidar a fazer  uma  parceria e
desenvolver um  projeto juntos que  era mostrar a vida  de  Van Gogh   em quadrinhos  
para o  publico adolescente.   Topei na hora e o sangue artístico voltou a borbulhar nas
veias (poético isso).
   O projeto saiu mas  para publicá-lo nos pediram para retirar as cenas de nudez e  as
linguagens de  baixo calão. Decidimos que não poderiamos fazer isto, pois com Toulose
Lautrec, Gaughin e Vincent Van Gogh convivendo juntos não poderiamos deixar de colo-
car os cabarés e os palavrões em troca de linguagens muito pudicas.   Como nos nega-
mos, o projeto foi engavetado e permanece ali até hoje. 
   A partir de 2001 os ventos da arte começaram a soprar a meu favor novamente. Eu
havia vendido  uma tela para um amigo e o mesmo  levou esta tela para emoldurar  em
uma  grande  loja de Porto Alegre (FASTFRAME).   A proprietária gostou  tanto que me
pediu  algumas telas para vender em sua loja.    
      A coisa pegou de tal forma que acabei sendo convidado
a participar da mostra Casacor 2003 (onde os maiores arqui-
tetos esbanjam seu talento e nós artistas expomos os nossos
trabalhos. Acabei participando também da Casacor 2004, Ca-
sa & Cia 2005 (concorrente) e fui convidado para participar
da Casa & Cia 2006 que  acabei não participando. 
    Neste meio tempo, ainda inconformado com o desastre do
projeto  Van Gogh,  acabei  fazendo  um  reestudo do projeto.    
    Fiz um triptico em  acrílico sobre madeira e o inscrevi  no
“XII SALÃO INTERNACIONAL DE DESENHO PARA IMPRENSA DE
PORTO ALEGRE – 2004”. na Usina do Gasômetro. 
   O  trabalho,  intitulado,  “Vincent”,  acabou  finalista  do
evento entre os mais  de 200  trabalhos inscritos que  vieram
                                                                                                                        
de  todos os  cantos do mundo.  Motivado por esta  nova  fase, acabei sendo convidado
a retornar ao Atelier Livre da  Prefeitura (agora  em regime democrático), onde fiquei por
mais um ano.    
    A minha orientadora no Atelier, a artista Plástica Vera Wildner, gostou muito dos meus
trabalhos e me convidou para estudar em seu Atelier particular junto com outros artistas 
mais  tarimbados  pois no Atelier da Prefeitura meu ciclo  havia se encerrado e eu deveria 
partir para "um algo mais".  Fiquei com ela até 2006.
                                                               

       Em  dezembro de  2005, através de minha orientadora, fui convida-do para a  inauguração  de  uma Galeria de arte em  Porto  Alegre  onde  participei  do evento          junto com varios artistas, onde cada  um  seria  responsável  por  uma combinação              de cores.  Eu fui  representando  as cores vermelho e preto com o meu  trabalho a            óleo intitulado “Anjos ou Demônios”.  
      O trabalho acabou causando o maior tumulto  no  evento por causa  do anjo
bebendo  e fumando.  Mas como minha orientadora disse que eu deveria provocar o        publico com  minha obra,  dormi tranquilamente neste dia.        

     Em 2005  participei do  8º Festival de Humor  Gráfico em Roma  cujo tema foi o  “Mundo
 Informatizado”. Meu trabalho foi finalista e ficou exposto em Roma e  publicado em livro do
 próprio concurso. Em 2006 participei novamente, desta vez como convidado, do 9º Festival
de Humor Gráfico em Roma cujo tema foi  “A arte no museu”, mas infelizmente meu trabalho
foi  extraviado  pelo nosso glorioso Correio  e acabei ficando de fora  do evento e o trabalho
perdido.
"Sonhando em numeros
binários"
Finalista do 8º Festival de
Humor Gráfico em Roma 
                     
                                                                                   "Os fantasmas se divertem
no Louvre
" .   
Trabalho extraviado pelo nosso
Correio.
Caso alguém o encontre perdi-
do por aí, peço a gentileza de
me informarem...
                                       
                                                  No início de 2006, através do cunhado de minha espo-
sa que residia nos EUA, participei da  inauguração  de um espaço de arte com 3 painéis de  180x120cm,  com temas tropicais bem brasileiros, que  mais uma vez causaram  um tumulto entre os Americanos por causa dos seios a mostra expostos na obra (ve se eu posso), mas mesmo depois de solicitarem  a  retirada das telas, ainda  assim todas foram negociadas. 
    Em 2006 fui  convidado por uma antiga amiga, também artista plástica, residente no Japão, para participar de uma
exposição individual na cidade de Fukuoka onde apresentei
23 telas divididas em 3 temas distintos bem Brasileiros.    
    Enfim, tenho muitos trabalhos espalhados por este mun-
dão, mas infelizmente no Brasil não se consegue espaços.
   Fica difícil para um artista que cria uma obra, saber que somente ficarão com ela se o preço for acessível e a obra combinar com o sofá da sala e a moldura não ficar muito cara. Voces podem estar pensando "mas este cara chora de barriga cheia", mas tudo que foi dito anteriormente se passou em mais de 40 anos de minha vida. Até o início de 2008 eu pintava em uma sacada em meu apartamento ou utilizava as instalações de minha orientadora.   Se  hoje
                                                                                  
 estou divulgando meus trabalhos no exterior, é por causa de minha atual esposa e maior incentivadora e que também é uma apaixonada pelas artes e atra-vés de meus amigos que quando saem pelo mundo afora a procura de sucesso, acabam levando  um pouquinho  de
mim junto com eles através dos meus trabalhos,  e que,  graças aos bons Deuses, sempre acabam agradando as pessoas (apesar das confusões).
   Atualmente possuo o meu próprio espaço para trabalhar. Pinto com tinta acrílica ou tinta
a óleo em telas 100% de algodão provienentes do Ceará (isso aqui é bom), e faço desenhos em papel Canson e ainda me aventuro nas histórias em quadrinhos (mas isso fica para uma
próxima oportunidade).
   Peço que me desculpem a choradeira e as lamúrias e espero que tenham se divertido com
o meu histórico e que apreciem os meus trabalhos.                                 
                                                                                         
                                    Paulo Thumé.